quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

o ano

A verdade é que um ano não apagou o sentimento de falha. Um ano não foi capaz de apagar meu medo de recomeçar e de me sentir eu mesma novamente. E ainda me culpo, me cobro uma perfeição que eu sei que não existe. Hoje eu quero amar de novo, amanhã prefiro minha solidão. Essa confusão se arrasta e já me incomoda demais.
Não deixei de amar, porque isso não é um sentimento que se apaga da noite para o dia. Para algumas pessoas, a separação é um recomeço mesmo, para outros a instituição do desespero. Não é medo de encalhar, é medo de nunca mais querer uma casa com filhos e cuidados. De nunca mais suspirar pela chegada do amado, de não poder ser esposa, dedicada, fiel e leal. Sinto essa tristeza, mas não me revolto ou quero morrer. Apenas queria ser feliz de novo, ou pelo menos de uma forma que não me faça cair em prantos na segunda à noite, ou em datas que me lembrem que um dia eu fui amada. 

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