quinta-feira, 31 de maio de 2012

Amar é importante, mas não é tudo. Um casal precisa ter afinidades

Quem encara a aventura da vida em comum precisa saber que só amor e desejo não bastam para garantir o sucesso de um relacionamento. É preciso que os parceiros gostem de conversar, de trocar experiências, que respeitem e admirem o crescimento do outro. Com o tempo, o amor corre o risco de perder o calor e, se não houver uma forte parceria, o caminho será o da separação.

 Revista CARAS | 24 de Fev. de 2012 (EDIÇÃO 955 - ano 18)

Na música Velha Infância, Arnaldo Antunes (51), Carlinhos Brown (49), Davi Moraes (38), Marisa Monte (44) e Pedro Baby (33) falam dos efeitos do amor: “Você é assim/ Um sonho pra mim/ E quando não te vejo/ Eu penso em você/ Desde o amanhecer/ Até quando eu me deito.” De fato, esse é um sentimento que transforma a vida das pessoas. Invade sem pedir licença e muda o roteiro que cada um planejou para si. Mas o sucesso ou o fracasso do casamento não depende só dele. Amar é fundamental, mas, como escreveu o escritor francês Albert Camus (1913-1960), “se o amor fosse o bastante, as coisas seriam simples demais”. Pura verdade! Todo relacionamento precisa da contribuição dos dois envolvidos para seguir adiante. 

Quanto mais afinidades existir entre eles, maior será a chance de quererem estar juntos, de estabelecerem trocas. Isso será mais importante ainda com o tempo, quando o amor não for tão intenso como antes. São as afinidades que vão fazer os dois desejarem continuar caminhando lado a lado, apesar dos percalços de qualquer relação. Quanto mais histórias compartilhadas ou construídas pelo casal, maiores serão os espaços para o diálogo, a troca e a parceria. Um amor, por mais grandioso que seja, se esvazia com o tempo, se não houver afinidades. Pode até demorar, mas acaba desencantando. 

Vejamos um exemplo. Uma mulher trai o marido. Se a única coisa que segura essa relação é o amor, o sentimento de inferioridade dele e a dor pela rejeição e pelo machismo melindrado levarão a relação a um ponto final, sem direito a vírgula. Mas se há respeito e admiração pelo crescimento do outro, se ela é a pessoa com quem ele mais gosta de conversar e se há projetos em comum, por terem os dois personalidades parecidas, essa etapa poderá ser vencida, porque a relação vai além do sentimento ou do desejo. Mágoas vão existir, mas poderão ser superadas. Agora, se não houver nada disso, só o amor ferido, dificilmente os dois seguirão juntos. 

Por tudo isso, antes de iniciar uma vida em comum, é importante que cada parceiro reflita sobre estas três questões: 

a) O que eu desejo no relacionamento? Quais são minhas necessidades, além do amor? É importante que a pessoa tenha consciência do que está buscando, independentemente do outro; 

b) Eu acredito nessa relação? Vale a pena o investimento afetivo? Afinal, ao iniciar uma vida em comum, espera-se que ela seja duradoura e é bom lembrar que isso significa assumir compromissos e que nem sempre o amor combina com os contratempos do dia a dia. Como diz a canção Velho Piano, de Dori Caymmi (68) e Paulo César Pinheiro (62): “Ah! O amor muda tanto/ parece que o encanto/ o cotidiano desfaz”; 

c) Tenho coragem para enfrentar o dia a dia? De acordo com o psiquiatra norte-americano David Viscott (1938-1996), “você se compromete quando sua coragem é maior do que suas dúvidas, seus medos”. Essa coragem é que vai fazer com que cada um enfrente os desafios da rotina e os maremotos da relação, e tenha, ainda, a humildade de reconhecer os próprios erros para fazer valer o projeto comum. A coragem ajuda a entender o amor e as voltas que a vida dá, e a perceber quando é hora de parar, rever a história e retomar o caminho, para seguir em frente, começando tudo de novo!

 

Vou responder às perguntas acima.

a) Sempre quis e tenho hoje um relacionamento leve. Sem cobrança. É um relacionamento em que nós somamos (inclusive falei isso para minha mãe esta semana, meu Marido veio para acrescentar). Eu busco amor, claro, mas um amor gostoso, sem ciúmes exagerados, sem criticas exageradas, sem pensamentos insanos e desrespeitosos. Poder contar com a pessoa para tudo, e que respeite o que eu sinto, seja o momento alegre ou o de desespero. E eu claramente, estar ali para que a pessoa possa sentir tudo isso que detalhei. Tem que ser uma troca gostosa.

b) Hoje eu acredito muito no meu relacionamento. Neste relacionamento. Eu vivi muitos relacionamentos legais e bacanas, mas que sempre me deixavam com um vazio enorme. E quando eu conheci o meu Marido, do nada, eu tive a certeza de que com ele eu enfrentaria o mundo e eu enfrentei. Até hoje não me arrependo de nada do que aconteceu com a gente e faria tudo de novo.

c) A rotina à dois não é fácil. E ariana como sou, não espero, eu faço. E parei de cobrar. Faço o que posso por mim, por ele, pelas pessoas, sem esperar em troca, porque quem espera algo em troca, só sofre. Adoro a rotina, não reclamo não, pois aprendi que essa é a vida. Não dá para ter uma vida florida de filme todos os dias. A realidade é outra e eu arregaço as mangas e corro atrás do que desejo. Tem os dias de preguiça, e vivo isso por pouco tempo, pois tenho horror a preguiça.


Sempre digo, que todo e qualquer relacionamento, tem que ser real. E cada um vive o seu ao seu modo. Não há fórmula, mas sim o desejo do estar juntos de graça. Quando a cobrança começa a trazer mais cobrança, é hora de rever o conceito. E se houver respeito e admiração, opa, tem muito para dar certo.

Não desista. Se a pessoa ao seu lado, lhe atrai e lhe satisfaz, lhe ama e lhe escuta, não tenha medo, seja quem você é e acredite na relação. Vale a pena.


Beijos e beijos!

Uma ótima quinta!

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