segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A moça do ônibus

Sábado, enquanto ia pra casa de minha Amiga Biriteira, entrou um daqueles pedintes famosos da cidade. Ele pediu, pediu e ninguém deu atenção. Ok. Ao meu lado, uma moça sentada, me perguntou se eu achava que daria tempo dela chegar ao sapateiro que fecharia em 15 minutos. Começamos a falar sobre o pedinte, que sendo famoso, ninguém mais dá atenção.
Pronto. Travamos uma conversa sobre o trabalho dela, sobre a vida dela e em apenas 15 minutos descobri que ela cuida de uma idosa e que lá ela é humilhada pelo patrão. Cuida de uma senhora que teve um leve AVC e que a usa para enganar a família e abusar da boa vontade dela, que pelo contrato deveria apenas ser dama de companhia e que já virou empregada doméstica. Depois ela me contou que saiu da casa da irmã, porque não aguentava mais ser humilhada por ela ser adotiva.
Eu fiquei tão triste ouvindo aquela história. Me deu uma imensa vontade de abraçar aquela pessoa, tão vulnerável ali naquele momento. Mas ela não falava com rancor não. Ela apenas não aceitava o fato. A filha rejeitada uma vez, mais uma vez rejeitada pela vida e por suas escolhas.
Hoje, quando me sentei no ônibus, indo pra aula de russo, me lembrei dessa mulher. Me pareceu tão esforçada. Independente do que ela está passando, ou de quem ela seja, ela me pareceu merecer todo respeito do mundo.
Ela ao se despedir me disse que nunca havia conhecido ninguém adotado. Porque eu falei de leve que sou adotada, mas que eu sou muito feliz. E não disse para me vangloriar não, apenas tentei mostrar que em determinados casos a adoção pode dar certo. Ela não se convenceu não. Mas é claro, ela não está se sentindo bem com a vida e a vida também não está cooperando né?.
E enquanto pensava nela e em tudo que ela me contou em 15 minutos, eu agradeci à minha vida. Agradeci as minhas escolhas e pedi por aquela moça. Ela é mais uma das figuras que encontro pelo caminho, que me fortalecem, que me fazem bem, as vezes sem sentir e sem saber.

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