domingo, 15 de março de 2015

31 anos - dia 18

Dia desses deitada na minha cama, sozinha e chorando, eu parei para pensar no fim do meu casamento. Penso nisso direto. Sempre em forma de oração. Não consigo chorar de tristeza ou saudade, mas de gratidão. E não no sentido tosco que algumas pessoas pensam, eu não acho que me livrei de algo ruim, apenas encerrei um ciclo para dar espaço para algo novo, e nem sempre esse algo novo é para mim de fato.
Na época me consideraram extremamente egoísta. Em outros momentos ouvi que fui ingrata, principalmente porque na época ele não estava trabalhando e pareceu que eu esperei ele ficar desempregado para terminar o casamento. Ouvi também que eu era metida a besta, que era uma pessoa que queria luxo e paparicos desnecessários. Sim, ouvi muita coisa ruim à respeito do fato de que simplesmente senti que não fazia mais o bem àquele que eu havia escolhido para a vida inteira, mas a verdade é que isso era muito claro desde o começo do relacionamento: se um dia um dos dois sentisse que não fazia o outro feliz, era hora de acabar o casamento.
Comecei a sentir isso 8 meses antes de pedir a separação. Comecei a perceber que eu reclamava demais, via defeitos no lugar de qualidades e principalmente, perdia a paciência facilmente. Em vários dias eu me pegava olhando para ele e pensando: ele não está feliz. Será necessário mesmo que ele seja infeliz? Não achava justo nem com ele, nem comigo. 
A decisão de dizer acabou doeu muito em mim. Depois fiquei com dúvida, pelo medo que se instalou em meu coração quando percebi que havia perdido meu companheiro e que eu não nutria mais o desejo ardente de ajudar. E aí foi me dando medo de não conseguir recuperar essa chama, fato constatado em meio à lágrimas.
Ao longo desse último ano divorciada eu me arrependi muito da separação. Senti muito o vazio da solidão, do não ter com quem dividir as angústias, o dia a dia em si. Gostei muito de ser casada, embora hoje não queira repetir a dose. Para quem duvidava de si, acho que mesmo sendo uma esposa mediana, me saí bem. Fui fiel, leal e tentei seguir os mandamentos sugeridos às esposas. Falhei obviamente, infelizmente não fui capaz de lidar com as diferenças.
A verdade é que eu o amei. Amei com amor de verdade, não só com paixão. Amei o ser humano que eu sei que ele é e sempre será: integro, honesto, inteligente, carinhoso. Mas não fui capaz de fazê-lo feliz. Isso me tornou uma pessoa que não acredita muito nisso de amor, porque eu fui criada para me casar apenas uma vez e mesmo não tendo me casado na Igreja acho que já cumpri minha missão. E falhei, mas hoje tento não me culpar mais, até porque não vale mais a pena. Cada um seguiu seu caminho e eu espero que já que ele não foi feliz casado comigo, possa estar feliz. Desejo muito que ele encontre o amor novamente, pois pessoas especiais como ele é raro encontrar. Ele me ajudou muito nos piores momentos, foi meu ombro amigo na hora da dor, me fez rir quando eu entrei em várias crises, acreditou em mim quando eu duvidava do que era capaz, me carregou no colo, nas costas, na alma. Me deu comida, banho, cuidou de muitas feridas, internas e externas. Meu ex foi meu melhor amigo enquanto marido, foi meu amante especial, àquele a quem confidenciei meus segredos mais profundos. Terminei um casamento cheio de amor, na esperança de quem o receba em seus braços futuramente, possa receber em dobro tudo o que ele me deu. Sou grata infinitamente pela oportunidade vivida e humilde o suficiente para me conformar com o que fui e na fé de que eu melhore. Melhorar para quem sabe viver um nova experiência e feliz no caso de não mais ter a oportunidade de amar novamente. E só peço à Deus que eu ouvi: você nunca mais encontrará um amor como esse, não aconteça na verdade. Quero o que for melhor para mim. Sempre. 


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