terça-feira, 29 de julho de 2014

Os autores que se foram e Machado de Assis.




Nas últimas 3 semanas perdemos 3 escritores que foram deveras importantes para a evolução da nossa literatura moderna. Lá se foram em menos de 15 dias: João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna. Não minto quando digo que não conheço Rubem Alves, mas João Ubaldo e Suassuna fizeram parte de minha vida e isso eu não tenho como negar.
De Suassuna eu já ouvira falar antes do sucesso do filme O auto da Compadecida. Na época da escola, quando eu achava que seria artista da Globo, montamos uma leve adaptação para a semana acadêmica de teatro. Nela nos desdobramos na apresentação desta peça e na Ópera do Malandro. Foi lindo, foi divertido, foi para pensar. Porque assim era Suassuna. Um homem politizado, mas sem alarme e sua obra permanece viva em mim e em muitos, com certeza.
E temos João Ubaldo, com sua A casa dos Budas Ditosos que eu li há anos, mas que quero reler não só porque ele morreu, mas porque lembro que este livro me fez pensar e muito sobre muitos itens da vida que nem sempre paramos para refletir.
E eu até fui meio inútil comentando que com a morte dessa turma um pouco da nossa literatura ficara pobre. Fui repreendida por uma amiga. Ela foi categórica e só depois percebi meu deslize. Eu estava sendo injusta, a literatura brasileira não ficou mais pobre. Ela continua rica e depende de nós para não ser esquecida. 
Essa mesma amiga me pediu algum sugestão de literatura brasileira para ler na férias. Não me considero nada expert neste assunto mas arrisquei. Sugeri o livro citado acima do João e o meu ídolo maior: Machado de Assis. E toco neste assunto e muito riem. Como assim Machado de Assis?
Pois é. Conheci Machado ainda em Moscou. Aliás a grande maioria dos autores que acompanho brasileiros eu conheci lá. Além dele pasmem: Jorge Amado. Mexendo na biblioteca da escola, encontrei Tieta do Agreste em russo e achei àquilo fantástico (assunto para outro post).
E Machado sempre com sua linguagem rebuscada me manteve na linha. Com certeza minha adolescência teria sido desastrosa sem ele. Entendo porque muitos jovens não curtem, mas é porque ele te faz ser adulto sem você nem sentir. Já devo ter lido toda sua obra, mas sempre indico Memórias Póstumas de Brás Cubas, que amo demais e já li 4 vezes e Quincas Borba, que devo ter lido também o mesmo número de vezes. 
Eu amo literatura brasileira. Principalmente a que retrata a época do Império, das donzelas, dos escravos e tudo que foi cultuado naqueles tempos. Viajo para esses dias e fico imaginando como seria viver em um mundo que para nós é tão diferente e até impossível.
Bem, espero que tenham valido minhas dicas. Farei um resumo do livro do João para o caso de vocês se interessarem. E para quem não curte Machado, tenta ler com uma nova perspectiva. Vale muito a pena.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A verdade é que tudo anda muito esquisito. E não gosto de culpar a TPM sabe?. Acho cafona. E muito menos a separação. Separei oras, acontece.
Mas a vida não está fácil. E com o tempo aprendi que para uns não ter vida fácil é não ter o que comer, ou não ter dinheiro para o básico, ou perder alguém. Mas no momento para mim, não está fácil. Não está de tudo ruim não, perdão meu Deus! Está bacana: tô com saúde, tenho amigo, um emprego que eu amo, mais uma ou duas atividades que me dão amigos, dinheiro. Estudo, leio, sorrio, bebo meu café. Recebo visitas ilustres, fecho contratos, trabalho, deito, durmo. E não durmo. Há noites em que me despedaço em lágrimas, que quero quebrar tudo. Que sonho acordada, literalmente com a praia, a brisa, o nada, o além do horizonte existe um lugar. Não tá ruim, mas não está fácil e não vou me envergonhar mais de dizer: alô não estou querendo sorrir hoje. Dá licença que vou ali chutar uma parede e comer uns dois pães e meio escondida e depois ficar três dias bebendo água com gás. 
Hoje particularmente estou meio irritada. Acordei semi-disposta a ser feliz e tudo ia bem, até tirei foto no Instagram com uma frase super motivadora e cheia de gratidão. Mas aí do nada meu humor desce e eu começo toda a ladainha interna diária de: ah será que eu sou uma boa profissional? ah eu não sei fazer outra coisa, como é que eu faço tanta bobagem? E blá, blá, blá, whiskas.
A minha sorte e cara , eu sou deveras sortuda, é que dei aula, a aula foi o máximo, e ainda recebi um convite para dar um rolê pela cidade e visitar a Moto Capital e sei lá respirar um ar diferente do que venho respirando nos últimos meses. E daí converso com minha outra aluna que super fofuramente me liberou da aula da noite para que eu pudesse tentar a sorte. 
E cara, eu subo novamente o meu grau de humor e internamente, claro, falo algumas palavras feias só pelo prazer de limpar os pulmões. E fico pensando que hoje não está fácil. Ontem também não foi e que se amanhã também não for bom, sábado tem que ser. Um dia, essa tal felicidade transplantada em nossas mentes atingirá os corações e nada será mais importante do que a superação de nossos próprios sentimentos negativados instantaneamente a cada alvorecer.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Mais um baby na família.

Bem todo mundo já sabe que este ano me tornei Tia-Avó. Pois é. Já que não sou mãe é isso mesmo, ser Tia ou Tia-Avó é tão gostoso também e eu não abro mão deste cargo.
O fato é que quis o destino que a minha Sobrinha Ratattoulie, brincando de namorar, engravidasse também. Confesso que na hora quase engulo um pastel inteiro e que depois que recebi a notícia tomei duas cervejas em quatro goles. E chorei muito. Mesmo. Pelo susto, pelo medo, pelo amor que sinto por ela e pelo desejo infinito de que ela seja feliz.
O meu interior me disse que ela é louca. Engravidar tão nova? Como meu Deus? Ok, como eu sei, mas é de fato uma notícia que mexeu muito comigo e ainda mexe. 
Só que eu estou muito feliz. Porque ela está feliz. E sei que Deus não dá uma missão dessas sem ter certeza. Ele é muito sábio e percebeu que esse era o momento dela construir a família dela, crescendo, amadurecendo e conquistando seus sonhos. E minha missão é a de sempre: ajudar no que for preciso, deixando ela ter o espaço dela, vivendo este momento do jeito que ela achar correto.
Aprendi na marra que eu não posso viver a vida dela. Claro que como Tia absolutamente coruja, eu gostaria de colocá-la em um potinho e não queria jamais que ela chorasse, sofresse, caísse e se machucasse. Demorei um tempo para entender que ela sempre será minha Princesa, mas agora ela é a minha Princesa adulta, mulher e até admito que aprendi muito com ela nestes últimos anos, porque ela de fato se tornou um referencial para mim, mesmo sendo 8 anos mais nova.
Ratattoulie, eu te amo e estou muito feliz pelo seu baby, pelo seu sorriso de mãe, pela pessoa que você é, pelo amor que você sente pelo seu noivo. Obrigada por me deixar fazer parte de sua vida. Eu sei que nunca fui a melhor Tia. Sei que em muitos momentos, quando você era criança, eu perdi a paciência, mas independente de tudo, sempre te amei, sempre te amarei, sempre te apoiarei, sempre terei em minha vida espaço para que você confie em mim. Te admiro pela sua maneira leve de encarar a vida e você me inspira a ser uma pessoa melhor. Deus não meu deu filhos e muito provavelmente não me dará, mas isso não me entristece, porque eu tenho a você e agora o seu filho ou filha e saiba que estarei sempre aqui para te ajudar. Se precisar que eu ajude a cuidar, faço com o maior prazer do universo. Tenho certeza que você será uma ótima mãe. Seja apenas uma mulher sábia, escute seu coração e qualquer dúvida liga para o Pediatra. Ah e claro, escute os conselhos das avós e da Bisa, não os meus, porque a minha função será só estragar e passear no shopping. Se for menina então, já era.
Fica com Deus! Ah não esqueci do Senhor Paçoca. Certeza de que ele será um ótimo pai. E vocês serão uma linda e feliz família. 
Um beijo com um amor que não cabe no peito da sua Pequena Tia e agora Mini Tia-Avó.

Dando um oi.

Faz algum tempo né? Passar mais de uma semana sem escrever não tem graça. Eu sei que vocês sentem falta. (?)
Por falar em fãs, tá eu nem falei sobre isso,  descobri um dia desses que eu tenho uma super fã em Salvador. Tá super fã é delírio meu, mas quando ela falou que acompanha o blog há anos eu me emocionei. E olha que ele tem apenas 7 anos. Daí nos adicionamos no Facebook e eu estou meio que tentando convencê-la a me receber em sua casa nas férias, que se tudo der certo, acontecem em novembro.
Não tenho muito o que contar. A Copa acabou, o serviço de Voluntariado também e eu estou mais em casa do que no mundo. Nestes últimos 15 dias saí uma vez de casa oficialmente para me divertir. Não conto o dia do jogo da Alemanha com o Brasil porque seria tortura relembrar. A verdade é essa. Estou oficialmente encalhada e isso não necessariamente significa apenas no plano amoroso. Neste dia que saí aí, era uma segunda e eu conheci um jamaicano e um americano very crazy e pasmem: o jamaicano super elogiou o meu inglês. Quase choro.
E assim estou indo. Nada de farras, nada de romance. Fico entre a cozinha, o banheiro e a cama. Faço algumas tarefas domésticas sem entusiasmo, e tem um ano que meu fogão pede socorro, mas quem liga, eu não cozinho mesmo.
Eu sabia que ao me separar a vida não seria colorida, com farras diárias e cheia de álcool, mas do jeito que tá não está fácil. Até tenho um amigo que volta e meia tenta me sequestrar para viver, como ele diz, mas não ando com essa vontade toda de viver não. Pelo menos por enquanto não. Acho até que estou com depressão, mas aí lembro que existem pessoas passando por problemas muito mais sérios, daí começo a ler um livro e esqueço do meu lado humano.
Dias 25 e 26 trabalho e essa esperança de sair de casa nem que seja para ralar, me anima. A semana até passa mais rápido. 
É isso. Nada mudando. Ah sim, minha identidade. Estou naquela fase em que eu preciso ir em vários órgãos mudar novamente de nome, de documentos. Me avisaram para não fazer isso, mas sabe como é: casei amando, apaixonada e acrescentar o nome dele foi a maior prova de amor que eu pude dar. Qué, qué, qué....
Vida que segue.
Não esqueçam de mim.
Love you!


Inspirações pessoais para um casamento meu em algum momento.

Será que eu mudo de ideia, ou Deus, e me caso? Se sim, da-lhe inspirações....

Cabelo curto sempre. 

Pretty short bridal hairdo {Photo by Jodi Miller via Project Wedding}

Vestido curto sempre.

 Ellie--2 Piece, Lace and Cotton Wedding Dress, $365, Leanimal of course.

Sapato fechado e colorido sempre.





Ao ar livre sempre

Photography: Vienna Glenn Photography - viennaglenn.com Floral Design: Florarama - floraramamoderndesign.com Catering + Event Coordination: Mountain Springs Lodge - mtsprings.com  Read More: http://www.stylemepretty.com/2013/06/13/rustic-washington-destination-wedding-from-vienna-glenn-photography/


Bolo de verdade sempre.

Photography: Sara Lynn Photographic - www.saralynnphoto.com  Read More: http://www.stylemepretty.com/2014/07/08/colorful-bohemian-wedding-inspiration/


De segunda à domingo - Vermelho



Stefanel and


, Diesel and


,  and









,  and troen

TREND ALERTS: PANTALONI CULOTTES


,  and Bimba & Lola

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Gosto de bolinhos assim, simples e criativos...

Quem me conhece sabe que eu não gosto de bolo maquete. Para nada. Sempre prefiro o bom e velho bolo, cortado, saboreado, despedaçado. Em casamento sei que é mais complicado, mas em aniversário super indico. Quis muito um desses em meu niver de 30 anos, mas viajei, perdi. 
Mas ano que vem quero ver se mando fazer um. E as minhas escolhas estão abaixo. Simples, com um recheio básico e de preferência com um cafezinho.

Fabric Strips Cake Bunting, Cake Topper, Cake Decoration via Etsy (love the pretty colored popcorn too)


4 Rezepte für das Solero Mojito Eis von Langnese - Fräulein Klein


I know this says Easter, but I rather like the idea for a tiered spring or summer wedding cake, too! Easter Polka Dot Cake | SugarHero.com


Martha Stewart - cake decoration

Inspirações aleatórias - Pinterest


Não tenho o hábito de me maquiar, mas um cantinho desses acredito que até me inspiraria. Também pode ser um mini home office né?

How To Decorate on a Budget

Com uma cama dessas eu nem sairia de casa...




Balcãozinho na janela... Para quem tem uma janela dessa né?

little window bar at home

Amei esse sofá! Sério, quero um...

casa com simplicidade3

Cozinhas que amei no Pinterest

Eu não sou muito chegada em cozinhar, logo a cozinha é basicamente para tomar água, cerveja ou chá; beliscar pequenas porções de saladinhas e preparar pipoca. Ah e agora estou numa onda de pastel. Ou seja, passo pouco tempo nela. Mas isso não significa que não olhe cozinhas e sonhe com uma bem bacana para o dia em que eu aprender a gostar de cozinhar ou seja obrigada a isso.

The New Traditional - traditional - kitchen - philadelphia - Kitchens by Eileen

Gosto de cozinha branca. Piso claro. E armários. Não gosto de coisas aparecendo na cozinha. 

love the rug

Apaixonei nesse tapetinho. Gosto de tapetinho na cozinha.

DIY Kitchen makeover reveal | I Heart Nap Time - How to Crafts, Tutorials, DIY, Homemaker  like the light fixtures in the kitchen.  darker granite   and white subway tile backsplash.  also the tile floor

Para quem curte cozinha mais espaçosa, adoro esses balcões que servem de mesa. Imagina preparar um jantar com os amigos ali, conversando, comendo aperitivos e bebendo um vinho...

kitchen open shelving | Kitchen Makeover Tips from Jeff Lewis - Easy Kitchen Decorating Ideas ...


Apesar de ter dito acima que adoro cozinhas claras, gostei dessa pelo básico. Para pessoas como eu que só aparecem na cozinha vez ou outra, seria o ideal.


Salas que amei no Pinterest

Esse tal de Pinterest é tão fofo né? Cada imagem mais linda que a outra. Hoje apresento umas salas de estar que vi e que não me saíram da cabeça.


1) Sala simples. Amei a paleta de cores e não ter tapete. Esse piso é simplesmente maravilhoso! 

cinza + madeira = <3

2) Apaixonei neste cantinho para livros.  

Ben Moore 'Tranquility' AF-490  Office?

3)E esse tapete?

living

4) Essa sala com essa luz entrando. Só faltou as amigas e o chá! 

Madrinhas com a mesma roupa

Eu sei que no Brasil não temos este costume e até temos tentado dar uma padronizada nas cores das roupas das madrinhas nos casamentos. Aqui o costume geralmente é que as daminhas usem roupas iguais ou as damoseilles. Mas por aí é muito comum. As madrinhas até se juntam para fazerem ou comprarem a roupa no mesmo lugar. 
Eu particularmente acho um charme. Claro, a minha sugestão é que sejam roupa baratas, não vá exigir demais não. Mas só dá certo quando o número de madrinhas não é exagerado. Quando são 3 de cada lado por exemplo, acho que dá certo e ninguém se ofenderia não. Aliás acredito que a escolha da roupa das madrinhas com a noiva deve ser mais um dia para juntar as amigas, tomar um prosseco e rir nos preparativos. Tudo é motivo né?

Vamos às inspirações?

Para longos, gostei dos vestidos abaixo. Tecido leve, modelagem que fica bem na grande maioria das mulheres.



O estilo de vestido abaixo também fica super legal. Gostei do tom. Acho que precisamos abrir um pouco a mante para isso. Ainda somos muito atreladas ao normal das lojas de aluguel de vestidos. 



Apaixonei no vermelho dos vestidos abaixo e os girassóis. Amo essa misturinha.


Para as que não são tão ousadas assim, que tal padronizar ou brincar um pouco com os sapatos?


Acho fofo esse tom de vermelho e o sapato geralmente é algo mais fácil de "determinar".

Good idea

Eu se eu fosse casar agora, teria dois casais de padrinhos de cada lado. Sou contra filas intermináveis de padrinhos. Aprendi que só quem assina que tem a real importância, então assim o seria.
Mas opinião é opinião e cultura é cultura, logo, o foco aqui é mostrar que precisamos perder esse medo de ao menos sugerir o tom, ou o modelo, ou o sapato. Eu sei que o fato dos padrinhos aceitarem já é um grande passo, mas ow não custa nada tentar né?

Beijos e beijos!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Sugestão de leitura: http://www.casalsemvergonha.com.br/

Venho sugerir um site muito legal e que pode auxiliar pessoas como eu que nada entendem de relacionamentos. Daí você deve ter soltado uma gargalhada daquelas, afinal tenho 30 anos e já fui casada. A verdade é que ter sido casada não aumentou meu feeling para a coisa não. Muito pelo contrário, sinto que a cada dia me perco mais em medos, inseguranças e todo um trauma de adolescência resolveu voltar e tomar meu mundo.
Enfim. O que eu quero mesmo é indicar o site e já colocar um texto aqui massa e que tem tudo a ver com esta fase super crazy que ando vivendo por estes meses, dias e claro, porquê não, anos. 
Vida que segue. 


Só o amor não é o bastante para sustentar uma relação

Amor de verdade muda a vida da gente. Reconstrói, incendeia, engrandece. Eu compro o maior clichê da humanidade e sou a primeira a bater no peito e dizer isso em alto e bom tom para quem quiser ouvir. Mas diferente de todos os outros textos que já escrevi, este especificamente, não é uma ode ao amor em si. É uma leitura direta e racional do que existe por trás do sentimento mais sublime que existe no mundo. O amor é absurdamente transformador, no entanto ele sozinho, infelizmente não consegue fazer milagre. Para um relacionamento realmente dar certo, um monte de outros sentimentos sólidos precisam amparar a base desta parceria. A fundação da casa é muito mais importante do que o telhado colonial ou a maçaneta importada da porta. Porque quando o primeiro furacão balançar as estruturas deste abrigo, só permanecem de pé os abraços muito bem fundamentados. Colocando por terra a maior ilusão da vida da gente, o amor, só o amor, por maior e mais verdadeiro que ele seja, lamentavelmente não sustenta relacionamento de ninguém.
O que eu conheço de casais que se apegam a esta fantasia definitivamente não está no roteiro. Eu mesma quando era mais jovem adorava justificar a permanência em relacionamentos doentios com o bordão: “mas eu sou apaixonada por ele”. O amor era sempre o “mas” entre a vírgula e o ponto final. E esse “amor” me martirizava cada vez que eu tentava pular fora de uma parceria que simplesmente não cabia na minha vivência. Independente das incompatibilidades, do descaso, do desrespeito, da falta de companheirismo, enquanto houvesse amor, existiria uma solução (assim eu pensava). Acontece que, dia após dia, eu aprendi friamente com as mágoas, as dores, os retrocessos emocionais que amor não era isso. Que estar em um relacionamento era muito mais do que estar apaixonada pelo cara do meu lado.
Parceria saudável é igualzinho receita de bolo. O amor é o toque final que faz a massa transbordar doçura mesmo debaixo de um calor de 180 oC. O amor é a motivação. É o ímpeto que te faz sair de casa de madrugada para pedir desculpas depois de uma briga, o motivo pelo qual você coloca a timidez de lado e chama a garota para sair, a razão pela qual você decide em primeira mão abrir a porta da sua vida para um relacionamento em si. É o início e o fim de tudo, mas só amor sozinho não suporta o durante. A paciência, a cumplicidade, o respeito, a compreensão, o discernimento, o timing e um monte de sentimentos que na maioria das vezes são subjugados dentro de uma relação é que sustentam a travessia. Se qualquer um destes quesitos falha no seu propósito de construção de um alicerce sólido, o relacionamento acaba. Acaba porque você olha nos olhos do outro e não reconhece mais a essência daquela parceria. Acaba, porque o amor vira orquestra de um apego só, que nada mais faz do que ecoar um verbo solto no meio de um teatro vazio.
A gente presta tanta atenção no grosso da palavra amor, que se esquece das mensagens subliminares escondidas nas entrelinhas daquele parágrafo. Não basta amar até o último fio de cabelo e não respeitar o momento do outro, alimentar ciúmes descontrolados, possessividade, intolerância e um bocado de pequenas feridas que acabam por matar o cerne da união. O amor é lindo, é mágico, é transformador e muda a vida da gente. Muda, nem que seja pra gente entender que ficar sozinho em determinada instância é melhor do que permanecer naquele enredo. Nem que seja pra olhar pra trás e assumir que amou sim, perdidamente, mas que foi necessário fechar aquela porta porque os caminhos infelizmente não conseguiram se encaixar no presente do outro.
Não estou minimizando a força do sentimento mais potente e corajoso que existe no universo. Ele vai dar as caras quando você pensar em sair, ele vai frear a palavra no momento da fúria, ele vai te encher de coragem para reformular as versões de si que não se enquadram mais naquela travessia, para então tentar de novo. Contudo, mesmo o mais resiliente dos amores precisa de uma boa retaguarda para enfrentar a batalha diária que é sustentar um relacionamento saudável. O amor quando pede licença em uma morada precisa de paz e aconchego para conseguir se instalar. Ele só é tudo em uma relação quando amparado por um berço de sentimentos cuidadosamente moldado. Fora isso ele deixa de ser motivação, para ser um mero ocupante dos espaços vazios dentro do coração da gente. Melhor dizer adeus com um olhar recheado do amor mais lindo do mundo, do que ficar e deixar esse olhar morrer de inanição. Amor sozinho não sustenta uma relação, mas bem abraçado, ele resplandece com a graça e a doçura de um pássaro em voo: aquele que fica por livre arbítrio e não porque se sente aprisionado.
danielle

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O fim documentado

Hoje, 07 de julho de 2014, poderia ser mais uma segunda normal. Talvez ela o seja para você, mas para mim, ficou marcada no papel e na alma como o dia em que eu me divorciei. Parece uma palavra pesada, na verdade para mim ela é assustadora. É como se eu tivesse cometido hoje um dos maiores pecados que uma mulher poderia cometer. Mas ao mesmo tempo sinto um alívio, e antes que você me apedreje, me explico. 
Separar é de fato uma das piores situações que um ser humano, seja ele uma pessoa boa ou não, pode passar. Tenho certeza absoluta, que seja você quem tenha solicitado ou não que a pessoa se retirasse de sua vida, você sofrera em qualquer caso. 
No meu foi primeiro uma decisão sofrida e pedi a separação amando, o que torna tudo mais dramático. 
Mas o alívio veio em seguida quando percebi que ele é muito mais feliz agora. Talvez até mais feliz hoje do que quando casado comigo. A sabedoria consiste ao percebermos que de alguma forma a nossa capacidade de arrancar um sorriso do outro diminuiu drasticamente. Quando você não sente que está sendo um ponto motivador e exemplar na vida do seu parceiro. Quando tudo e qualquer coisa vira motivo de silêncio. Quando você sente que não é mais capaz de fazer o outro feliz. 
Chorei muitas vezes constatando isso. Me culpando. Criando pequenos monstros que me levaram a decisão de deixá-lo livre. E o que me alivia é ver que essa liberdade veio em um momento único. Para mim não há nada mais gostoso do que vê-lo sorrindo, planejando, criando seus objetivos de vida, sonhando. Coisas que eu não via mais no último ano de casamento. Talvez seja por minha causa a infelicidade dele, por isso a sabedoria de deixá-lo ser feliz. Seria muito mais egoísta prendê-lo e vê-lo se perder em seus pensamentos mais profundos. Ele não era feliz e eu sentia isso. 
Ao longo dessa jornada de separar eu ouvi muitas palavras de apoio e consolo. Mas ouvi muitas coisas pesadas. As maiores delas foram que um eu sou doida e que eu nunca mais encontrarei um homem como ele em minha vida. Ah e que eu sou egoísta. 
Claro que ao ler, ouvir e saber destes comentários eu não deixei me abater de fato. Fiquei chateada, mas ao mesmo tempo eu pedi a Deus que essas palavras não invadissem o meu mundo e nem que voltassem para as pessoas que me desejaram mal. O fato é que sim, eu sou louca. Sou tão louca que passei mais de um ano pensando exatamente no que fazer e como fazer, para que não fosse uma atitude infundada e tomada no calor de alguma emoção negativa. E não sou egoísta. Egoísta eu seria se continuasse achando que só comigo ele seria feliz. Se eu continuasse insistindo em algo que estava claramente ferindo um ao outro. Porque nem toda relação precisa terminar em tiro, porrada e bomba. Elas acabam também no silêncio. 
A verdade é que eu tenho certeza que existe por aí uma pessoa que o fará muito mais feliz, que dará amor, carinho e todos os outros sentimentos que ele merece. Porque ele é uma pessoa muito boa. E eu espero em Deus que eu realmente não encontre alguém como ele, mas que eu possa viver minha vida da melhor maneira. Realmente continuo acreditando que casamento é só um e não serei uma pessoa infeliz se nunca mais encontrar um amor. A vida precisa seguir e é exatamente por isso que cada um seguirá a sua com o que merecer. Se eu não merecer um amor, a vida me dará outros tipos de amores para não passar por esta vida sozinha. Assim como meu ex será feliz com uma pessoa super fofa e normal. 
Enfim. Talvez pelo nervoso de toda situação, o texto tenha ficado confuso. Mas eu precisava desabafar. Há seis meses tento resgatar o que me restou como ser humano. E agora não tem mais para onde correr. A vida segue, eu preciso me refazer, me consolar, acreditar em mim. Me sinto aliviada por ter superado o meu egoísmo. E ter tido a coragem de assumir meus erros.
Aproveito para agradecer a quem me apoiou. E agradeço a quem o apoiou. Quem nos ajudou desde o começo. E quem nos ajudou no final. A quem me acha doida, egoísta e até mau caráter. Obrigada a quem olha para mim e entende até porque vez ou outra estou com os pensamentos longe. E obrigada a quem me disse uma vez que um casamento que não dá certo não é o fim do mundo. Essa pessoa me disse que é até uma nova oportunidade que a vida nos dá. Basta fazermos de fato novas escolhas. Talvez não as corretas, mas as que no momento nos realizam.

Beijos e beijos!