terça-feira, 24 de março de 2026

24 de março de 2026

2 meses e 11 dias depois da morte da Olivia, Abigail se foi. 

Há 15 dias ela parou de comer e há 5, de beber água. Foram noites acordando várias vezes para tentar fazer com que ela comesse ou bebesse água, mas na verdade, ela já havia partido na noite em que voltei para casa sem a Olivia. Aquele 13 de janeiro mudou tudo. 

Já no outro dia, Abigail não queria comer comida sólida, que era a grande paixão dela. E como ela vinha acompanhando a dieta da Olivia, seguimos. Tentei todas as rações molinhas possíveis e inimagináveis e ela até comeu bem por uns dias, depois, começou a rejeitar todas. As vezes, eu precisava colocar água para ela comer algum pedacinho que fosse das partes durinhas. 

Nada do que tentei deu certo e ela se entregou. Começou, inclusive a ter comportamentos que a Olivia teve nos dias finais de vida, como só beber água no box do banheiro. 

Ela também começou a querer se esconder e procurar o seu cantinho para morrer. 

Pedi a Deus que ela não morresse enquanto eu estivesse fora. 

Ontem, quando cheguei, ela estava no chão, gelada. Entendi que chegava a hora. A coloquei na cama, fiz um casulo com a coberta e até um travesseirinho. E a aqueci e me despedi dela. Disse que ela poderia partir em paz. 

E ela partiu. 

Acordei com ela durinha, e com xixi na cama (há dias que ela não ia ao banheiro). 

Chorei. 15 anos de convivência diária. E agora? 

Sem Olivia. Sem Abigail. 

Espero que tudo fique bem. Que elas tenham se encontrado e estejam correndo uma atrás da outra como amavam fazer. 

Até tentei culpar a mudança para o apartamento. Foi justamente depois que sossegamos, que poderíamos ter uma vida ótima, elas morrem? 

Só Deus para saber o porquê e para me consolar.

Ainda sofrerei muito de saudade.