sábado, 24 de janeiro de 2009

Ontem enquanto bebericava uma caipirinha, minha amiga me incentivava a lutar pela pessoa que eu gosto. E me convenci ali naquele momento que era realmente importante eu tomar essa atitude antes que fosse tarde. E foi tarde.
Percebi durante a festa o quanto ele estava estranho, senti cheiro de uma nova garota no ar, e hoje confirmei as suspeitas.
O que fiz?. Me convenci novamente das minhas próprias previsões.
Aprendi que em uma relação, um sempre gosta mais que o outro, mas que ambos devem nutrir sentimentos bons. Para mim, não existe o lance de amar por dois. Deve existir uma real sintonia, entrega, gostos parecidos e desejos e sonhos em comum.
Ter uma pessoas, apenas para status, ou estar com alguém somente por grana e ambição, não é bom para ninguém.
Há alguns dias, eu disse não a um pedido de relacionamnto, por não sentir pela pessoa, pelo menos um pouco do que ela sentia por mim. Achei que fui extremamente justa, não estar com ela, só porque ele gostava de mim, porque ele era legal e cuidava de mim.
Não me arrependo, e embora neste exato momento me sinta triste pela nova relação dessa pessoa que eu tanto gosto, prefiro imaginar que tudo no final tem um real sentido e que cada um recebe dos céus o que realmente merece.

Lá embaixo pessoas cantam em um karaokê. Música alegra a tarde, enquanto a chuva não pára de cair. A televisão com a sua programação repetida e sem noção. Ando de um lado ao outro, faço perguntas, não encontro respostas. Escrevo. Sonho com uma maré de coisas boas, para mim e para você.
Fui convidada à uma festa em uma Embaixada genérica.
Cheguei lá descubri que o DJ lindo e maravilhoso era gay, logo seus convidados eram em sua maioria, gays.
Sim, a festa estava lotada de sorrisinhos exagerados e muita, muita bebida. Por sorte eu estava preparada para me divertir sozinha do começo ao fim, e assim o fiz.
Uma caipirinha e uma lata de coca, muita música boa, novas amizades e reencontros memoráveis com amigos de infância. Sim, valeu muito a pena ter ido.
Voltei cedo para casa. Sem sono, alma cheia de purpurinas e escutando ainda os gritinhos exagerados de uma juventude que tenta se firmar em sua opção sexual e ser aceita pelo que é. Fiquei dançando e analizando a tamanha dificuldade que eles têm de assumir exatamente o que são. Ali eles estava livres, porque ninguém olhava torto, estavámos todos em busca de uma felicidade, cada um em seus devido estilo e com suas próprias percepções.
A maturidade da vida que é obtida em momentos assim, em que tudo se mistura e vira luz.....Muita luz.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O fusca

Ontem vi de longe um amigo, bem amigo de um ex-namorado.
aí olhando discretamente para a fisionomia estranha dele, comecei a lembrar do meu ex. Não com saudades e sem nenhuma petensão de tal sentimento.
Lembrei que o rapaz tinha um fusca branco, velho, feio e fedido. Claro que no começo, amei né?. Não sou Maria Gasolina, mas eu havia me mudado para um lugar sem transporte público e ter um namorado com carro na época era um trunfo daqueles!.
Mas eis que o fusca, passou a ser o meu maior pesadelo. O cara passava mais tempo alisando o carro, que comigo. E não era frescura minha não, porque todos reparavam o amor maior entre ambos. Achava super fofo, mas no treceito mês, eu me emputeci literalmente. Depois é claro dele quase provocar um acidente daqueles com uma grande amiga minha dentro do carro.
Soltei os cachorros, até que ficou evidente que a paixão dele pelo carro era muito maior que por mim. Era engraçado até. Aliás hoje eu acho extremamente natural e até prefiro que tudo tenha acontecido dessa forma.
Mas eu fiquei com muita raiva de Fuscas. Não posso ver um que lembro das ceninhas que ele armava só para ficar lá, horas limpando, coçando em cima do carro. A pior parte foi a compra de um mega-power-ultra som, que fez o carro parecer uma boate móvel. Aí ninguém segurava a criatura. Desgastes à parte, hoje, anos depois, eu acho muito engraçado relembrar as cenas. E agradeço ao tempo, por curar e por fazer pesadelos virarem piadas nacionais.
Ele casou. A única coisa que ainda sei sobre ele. Sem nostalgias nesse sentido, me livrei de um fusca e de maus amores. Essa é a parte mais importante de minha vida, me livrar do que realmente não serve para mim.
Faltam 179 textos para eu poder bater a minha meta de mil textos no blog. Se eu continuar ativa e disposta, com certeza chegarei lá, com muita alegria.
Ontem consegui finalmente fazer a minha inscrição para um curso rápido de Gestão de Eventos. O pessoal do curso adorou saber que morei fora e obviamente acabei contando pela milésima vez algumas partes dos anos em Moscou, na Argentina e de minha visita à Londres. As pessoas as vezes me acham metida por isso, mas na verdade o que exsite em mim não é metidez, é uma eterna nostálgia de tempos felizes e cultos.
Sinto sim muita falta de Moscou. Principalmente da neve, e de algumas pessoas que lá ficaram. Mas o que eu mais sinto falta é do cheiro de cultura que exalamos diariamente. Livros à nossa disposição, de graça. Lá eu lia, muito mais do que eu leio aqui. Eu pegava a chave da Biblioteca, e ficava horas lá dentro (em minha escola não tinha um bibliotecário), porque lá cada um se responsabiliza pelo seu crescimento intelectual.
Quando cheguei na Rússia, lembro que eu não lia nem gibi da turma da Mônica e em minha terceira semana na escola a diretora me chamou. Eu não entendia o Russo, e ela falou comigo em Espanhol. Ela me explicou que lá, se eu reprovasse seria expulsa da escola. E que ela me aconselhava a começar a ler. Ela perguntou se eu gostava de ler, disse que não. E ela riu e me disse: "olha menina, ou você se esforça e se adapta, ou você sofrerá as consequências infinitamente várias vezes, e doi, porque nós somos um povo muito difícil de conviver.".
Chorei bem ali, com medo, com vergonha, com insegurança de minhas capacidades intelectuais e me arrependi das várias vezes em que perdi tempo vendo TV.
Mas valeu a pena a bronca. Em 4 anos eu me adpatei tanto ao país, que terminei o ano em 4º lugar no ranking de alunos mais dedicados. (Lá eles fazem essas estatísticas na escola como incentivo).
Tudo valeu, cada segundo. Aprendi a gostar de ler e fazer da leitura uma fonte de isnpiração para meus textos e para a minha vida pessoal.
Aquela diretora mudou a minha vida e serei sim muito grata sempre!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Me contrataram aqui na Embaixada para ser a recepcionista. Mas, ainda na entrevista, me avisaram que eu poderia exercer outras funções, em caso de extremas necessidades.
Aceitei, óbvio, porque além de precisar trabalhar, eu estou acostumada a fazer coisas que nunca estão ao meu real alcance.
O fato, é que, desde ontem, me pediram para resolver uma situação, que mesmo em necessidades urgentes, estava fora de minha capacidade mental.
2 horas ao telefone, ligações ao Panamá e até mesmo para o Rio Grande do Norte. E nada. Ninguém sabia de nada e aqui me pressionam que devo encaminhar um fax. Mas aqui ninguém entende, que eu não consegui, não por falta de tentativas, mas porque ninguém sabia me infomar o que eu queria saber e eu decidi que não enviaria um fax, sem um destino concreto.
E escuto que eu faço tudo pelas metades. Eram quase 19h30 e o máximo que me disseram foi: até amanhã.
E aí escuto que não devo reclamar, porque sou paga para isso e que eu tenho que ser concursada, para fugir das humilhações e bem, no final das contas, me sinto mais frustrada por não conseguir uma projeção profissional de acordo com o que eu julgo compatível com o meu diploma e com a minha capacidade mesmo, real.
E olho nos jornais e não vejo nada, absolutamente nada que me chame a atenção e que me faça querer chutar o balde.
Assim.É.Não estou reclamando, desabafando, é a palavra concreta.
Tentando criar folêgo para encarar mais uma maratona de ligações e informações desconexas.
Sigo com o sentimento, de que preciso chutar o balde.
Ou seguir camuflando sentimentos com as necessidades vitais e com sonhos que nunca acontecem de fato, que me levam à caminhos nem imaginados, nem inventados.
Me perco em luzes e bebidas quentes. Procuro nas palavras cruzadas, respostas à dúvidas infantis.
Me perco entre as ruas de uma cidade lambuzada pela chuva, e lágrimas de desespero sociais.
Volto para casa, deito-me. Adormeço, pensando em pessoas, em mágoas, em verdades cruas e doloridas, faladas sem nenhuma noção de quanto áquilo afetará minhas decisões futuras. Acordo com uma vontade de simplesmente me afastar da terra, ir à Lua quem sabe, à Jupiter. À tantos lugares, que de peferência não me dê nada em troca. Apenas o silêncio de minha mente ainda perturbada pela sincera revelação de passados em cartas amassadas e amareladas.

Não quero pensar!
Quero tudo e nada ao mesmo tempo.
ah...........silêncio!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Discurso do Presidente eleito Barack Obama

Meus compatriotas,

Apresento-me a vocês trazendo a humildade que as tarefas que nos aguardam exige, a gratidão pela confiança que me foi dada e a consciência dos sacrifícios de nossos ancestrais. Agradeço o presidente Bush por seus serviços ao país, bem como pela generosidade e cooperação que ele demonstrou durante a transição.

Quarenta e quatro norte-americanos fizeram o juramento presidencial, até agora. As palavras foram pronunciadas em marés de prosperidade e nas águas plácidas da paz. Mas também houve momentos em que o juramento foi feito em meio a nuvens de tormenta e ao clamor da tempestade. E nesses momentos os Estados Unidos seguiram adiante não apenas por causa da visão ou talento daqueles que ocupavam seus mais altos postos, mas porque nós, o povo, nos mantivemos fiéis aos ideais de nossos predecessores e aos documentos de nossa fundação.

Foi assim no passado, e é preciso que continue a ser assim com a atual geração de norte-americanos.

Que estamos em meio a uma crise é bem sabido. Nosso país está em guerra, contra uma rede de violência e ódio cujo alcance é imenso. Nossa economia está seriamente enfraquecida, como consequência da cobiça e da irresponsabilidade de parte de alguns, mas também de nosso fracasso coletivo em fazer as escolhas difíceis que preparariam o país para uma nova era. Casas foram perdidas; empregos destruídos; empresas fechadas. Nossos serviços de saúde são caros demais; nossas escolas fracassam demais; e cada dia traz novas provas de que a forma pela qual usamos a energia reforça nossos adversários e ameaça o planeta.

Esses são indicadores de crise, sujeitos a dados e estatísticas. Menos mensurável, mas igualmente profunda, é a perda de confiança que se espalha por nossa terra - o medo persistente de que o declínio dos Estados Unidos seja inevitável, e que a próxima geração tenha de acalentar ambições menores.

Digo-lhes hoje que os desafios que enfrentamos são reais. São sérios, e são muitos. Não será possível superá-los com facilidade ou em curto prazo. Mas a América precisa ter certeza disso: eles serão superados.

Neste dia, estamos aqui reunidos porque escolhemos a esperança em lugar do medo, a unidade de propósito em lugar do conflito e da discórdia.

Neste dia, estamos aqui para proclamar o fim das queixas comezinhas e das falsas promessas, das recriminações e dos dogmas desgastados, que por tempo demais estrangularam nossa vida política.

Continuamos a ser um país jovem mas, como afirmam os Evangelhos, chegou o momento de deixar o lado as coisas da infância. Chegou o momento de reafirmar nosso espírito duradouro; de escolher o melhor de nossa História; de levar adiante aquele precioso dom, aquela nobre idéia, transmitidos de geração a geração: a promessa divina de que todos são iguais, todos são livres e todos merecem uma chance de buscar sua felicidade mais plena.

Ao reafirmar a grandeza de nosso país, compreendemos que grandeza não surge automaticamente. Ela precisa ser conquistada. Nossa jornada jamais envolveu procurar atalhos, aceitar barganhas. Nunca foi um caminho para os fracos, para aqueles que preferem lazer ao trabalho, ou procuram apenas os prazeres da riqueza e da fama. Em lugar disso, nosso caminho sempre recompensou aqueles que aceitam riscos, aqueles que fazem, aqueles que criam - alguns dos quais célebres, mas muito mais freqüentemente homens e mulheres que labutaram na obscuridade e nos carregaram pela longa e árdua estrada que conduz à prosperidade e à liberdade.

Por nós, eles empacotaram suas parcas posses e atravessaram oceanos em busca de uma nova vida.

Por nós, eles batalharam em fábricas precárias e colonizaram o oeste, suportaram a dor das chibatadas e araram a terra sem descanso.

Por nós, eles lutaram e morreram em lugares como Concord e Gettysburg, a Normandia e Khe Sahn.

Vezes sem conta esses homens e mulheres lutaram, se sacrificaram e trabalharam sem descanso para que pudéssemos levar uma vida melhor. Eles viam a América como algo maior que a soma de nossas ambições individuais, maior que todas as diferenças de nascimento, riqueza ou facção.

É esta a jornada que devemos continuar hoje. Continuamos a ser a mais próspera e a mais poderosa nação da Terra. Nossos trabalhadores não são menos produtivos do que eram quando começou a crise. Nossas mentes não se tornaram menos inventivas, nossos bens e serviços não são menos necessários do que eram na semana, no mês ou no ano passado. Nossa capacidade permanece inalterada. Mas o tempo da inação, da proteção a interesses estreitos e de adiar decisões desagradáveis certamente é passado. A partir de hoje, devemos nos reerguer, reencontrar nossas forças e iniciar o trabalho de reconstruir a América.

Pois onde quer que olhemos há trabalho a ser feito. O estado da economia requer ação, audaciosa e rápida - e agiremos, não só para criar novos empregos mas para deitar uma nova fundação para o crescimento. Construiremos as estradas e pontes, as redes elétricas e as linhas digitais que alimentam nosso comércio e nos mantêm unidos. Restauraremos a posição que a ciência merece, e utilizaremos as maravilhas da tecnologia para melhorar a qualidade dos serviços de saúde e reduzir seu custo. Aproveitaremos o sol, os ventos e a terra para abastecer nossos automóveis e acionar nossas fábricas. E transformaremos nossas escolas, faculdades e universidades a fim de que possam atender às exigências de uma nova era. Temos a capacidade de fazer tudo isso. E o faremos.

Existem aqueles que questionam a escala de nossas ambições, que sugerem que nosso sistema não é capaz de tolerar grandes planos em número excessivo. As memórias dessas pessoas são curtas. Esqueceram-se daquilo que este país já realizou; daquilo que homens e mulheres livres podem realizar quando suas imaginações se unem a serviço de um propósito comum, e quando necessidade e coragem caminham de mãos dadas.

O que os cínicos não conseguem compreender é que o terreno mudou por sob seus pés ¿que as discussões políticas fatigadas que consumiram nossas atenções por tanto tempo já não se aplicam. A questão que perguntamos hoje não é se o nosso governo é grande demais ou pequeno demais, mas sim se ele funciona ¿se ele ajuda as famílias a encontrar empregos com salários decentes, serviços de saúde que elas possam pagar, aposentadorias dignas. Se a resposta for positiva, seguiremos adiante. Se for negativa, programas serão cancelados. E aqueles de nós que administram o dinheiro do povo terão de mostrar responsabilidade - gastar de maneira sábia, reformar seus maus hábitos e trabalhar à luz do dia-, porque só eles podem restaurar a confiança essencial entre o povo e seu governo.

E tampouco temos de decidir se o mercado é uma força positiva ou negativa. Seu poder de gerar riqueza e expandir a liberdade é incomparável, mas a crise serviu para nos lembrar que, sem fiscalização atenta, o mercado pode escapar ao controle, e que um país não poderá prosperar por muito tempo caso beneficie apenas aos mais prósperos. O sucesso de nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho do nosso Produto Interno Bruto mas do alcance de nossa prosperidade; de nossa capacidade para expandir as oportunidades de forma a que estejam disponíveis para quem quer as deseje - e não por caridade, mas sim porque essa é a mais segura rota para o bem comum.

Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a noção de que é preciso escolher entre a segurança e os nossos ideais. Os fundadores da nação, diante de perigos que mal conseguimos imaginar, redigiram uma carta básica que garantia o Estado de Direito e os direitos humanos, uma carta expandida à custa do sangue de muitas gerações. Essas idéias continuam a iluminar o mundo, e não as abandonaremos em nome do oportunismo. E assim, a todos os outros povos e governos que estão nos assistindo hoje, das maiores capitais à pequena aldeia onde meu pai nasceu: saibam que os Estados Unidos são amigos de todas as nações e de todos os homens, mulheres e crianças que desejem um futuro de paz e dignidade, e que estamos prontos a liderar, uma vez mais.

Lembrem-se de que as gerações passadas enfrentaram o fascismo e o comunismo não apenas com mísseis e tanques mas com alianças firmes e convicções duradouras. Elas compreendiam que a força apenas não basta para nos proteger, e não nos confere o direito de fazer tudo que quisermos. Em lugar disso, sabiam que nosso poder cresce quando é usado com prudência; nossa segurança emana da justiça de nossa causa, da força do nosso exemplo, e da humildade e da contenção, qualidades que nos ajudam a moderá-la.

Cabe a nós preservar esse legado. Se voltarmos a ser orientados por esses princípios, seremos capazes de enfrentar as novas ameaças que exigem ainda mais esforço, e ainda mais cooperação e entendimento entre as nações. Começaremos a entregar o Iraque responsavelmente ao governo de seu povo, e criaremos uma paz trabalhosa mas duradoura no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos inimigos, trabalharemos de modo incansável para reduzir a ameaça nuclear e reverter o perigo do aquecimento global. Não nos desculparemos por nosso modo de vida, e tampouco vacilaremos ao defendê-lo, e para aqueles que procuram atingir seus objetivos causando terror e massacrando inocentes, temos a dizer apenas que nossos espíritos são mais fortes que os deles, e nada poderá alquebrá-los. Nossos inimigos não conseguirão perdurar, e nós os derrotaremos.

Porque sabemos que a multiplicidade de nossas heranças é fonte de força e não de fraqueza. Somos um país de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus ¿e descrentes. Fomos influenciados por todos os idiomas e culturas, vindos de todos o quadrantes da terra, e, porque provamos o sabor amargo da guerra civil e da segregação e emergimos dessa experiência sombria mais fortes e mais unidos, não nos resta senão acreditar que os velhos ódios um dia passarão; que as divisões entre as tribos em breve se dissolverão; que, à medida que o mundo diminui, nossa humanidade comum se revelará; e que os Estados Unidos precisam desempenhar o seu papel para promover uma nova era de paz.

Para com o mundo muçulmano, procuramos um novo meio de avançar, com base nos interesses e no respeito mútuos. Para os líderes de todo o mundo que procuram semear conflitos ou imputam ao Ocidente a culpa pelos males de suas sociedades ¿saibam que seus povos os julgarão com base naquilo que puderem construir, e não no que destroem. Para aqueles que se apegam ao poder pela corrupção, trapaça e repressão aos dissidentes, saibam que vocês estão do lado errado da História, mas que estamos dispostos a lhes estender a mão, se não formos recebidos por um punho cerrado.

Aos povos dos países pobres, prometemos trabalhar com vocês para fazer com que suas fazendas floresçam e que as águas corram límpidas; para nutrir os corpos famintos e alimentar as mentes ávidas. E para as nações como a nossa, que desfrutam de relativa abundância, temos a dizer que não é mais possível manter a indiferença ao sofrimento do lado de lá de nossas fronteiras, e tampouco podemos consumir os recursos do planeta sem considerar os efeitos. Pois o mundo mudou, e é preciso que mudemos com ele.

Ao contemplarmos a estrada que temos a percorrer, recordamos com humilde gratidão os bravos norte-americanos que, neste exato instante, patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm algo a nos dizer hoje, da mesma maneira que os heróis sepultados em Arlington sussurram para a posteridade. Nós os honramos não apenas porque são os guardiões de nossa liberdade mas porque personificam o espírito do serviço público: a disposição de encontrar significado em algo maior do que eles mesmos. E neste momento ¿um momento que definirá uma geração - é exatamente esse espírito que deve habitar-nos a todos.

Pois por mais que um governo possa e deva fazer, em última análise a fé e determinação do povo norte-americanos é que embasam esta nação. É a gentileza com que um estranho é acolhido quando as barragens se rompem, a abnegação de trabalhadores que preferem trabalhar menos horas a ver colegas perderem os empregos, que nos conduzem nas horas mais escuras. É a coragem do bombeiro que penetra sem hesitar em um corredor enfumaçado, mas também a disposição de um pai ou mãe a cuidar de seu filho, que terão a palavra final quanto ao nosso destino.

Nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que os enfrentamos podem ser novos. Mas os valores dos quais nosso sucesso depende ¿trabalho duro e honestidade, coragem e lealdade, tolerância e curiosidade, fidelidade e patriotismo- vêm do passado, e são verdadeiros. São eles que representam a silenciosa força que moveu nosso progresso ao longo das décadas. O que precisamos é retornar a eles - o reconhecimento, da parte de cada norte-americano, de que temos deveres para conosco, para com nosso país e para com o mundo, deveres que não aceitamos relutantemente mas sim recebemos com alegria, firmes no conhecimento de não existe nada tão satisfatório para o espírito, nada que ajude tanto a definir o caráter, quanto dar o máximo a serviço de um objetivo difícil.

Esse é o preço e a promessa da cidadania.

Essa é a força de nossa confiança - o conhecimento de que Deus nos atribui a tarefa de dar forma a um destino incerto.

Esse é o significado de nossa liberdade e de nosso credo - o motivo para que homens, mulheres e crianças de todas as raças e todas fés estejam unidos para celebrar nesse cenário magnífico, e para que um homem cujo pai nem mesmo seria servido em um restaurante menos de 60 anos atrás possa hoje estar diante de vocês para fazer o mais sagrado dos juramentos.

Assim, que este dia seja dedicado a recordar quem somos e o longo caminho que percorremos. No ano em que os Estados Unidos nasceram, no mais frio dos meses, um pequeno bando de patriotas estava unido em torno das bruxuleantes fogueiras de um acampamento militar à beira de um rio congelado. A capital havia sido abandonada. As tropas inimigas estavam avançando. A neve estava manchada de sangue. Em um momento no qual o destino de nossa revolução estava em dúvida, o pai de nosso país ordenou que as seguintes palavras fossem lidas ao povo:

"Que o mundo futuro saiba que, nas profundezas do inverno, quando nada exceto a esperança e virtude era capaz de sobreviver, que cidade e campo, alarmados diante do perigo comum, saíram em campanha para enfrentá-lo." Meus compatriotas. Diante dos perigos comuns, neste inverno de nosso sofrimento, é hora de recordar aquelas palavras imortais. Com esperança e virtude, enfrentemos uma vez mais a correnteza gélida, suportemos as tempestades que nos aguardam. Que os filhos de nossos filhos um dia venham a dizer que, sujeitos ao teste, não permitimos que essa jornada se encerrasse, não recuamos e não vacilamos; com os olhos fixos no horizonte e trazendo conosco a graça do Senhor, nós carregamos conosco o precioso dom da liberdade e o entregamos em segurança às futuras gerações.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
Redação TerraEnviar para amigos
Sentei na varanda da sala. Coca-cola no copo, nunvens no céu. A lua não quis aparecer. Aos fundos as notícias. Barack Obama assume o governo, o mundo vibra e espera resultados. Eu também. Aguardo resultados positivos de momentos em que silencio e guardo coisas em meu coração.
Guardo principalmente porque não sou a dona da verdade. Estou aqui e em qualquer outro lugar para aprender. Não sou a recepcionista do século, sempre soube disso, e sei também que a minha maior virtude é o querer ser melhor do que eu imagino de mim.
Nem sempre dá certo. E foi isso que fiquei pensando, sentada, sozinha. Uma humildade latente. Raízes de uma educação severa e bem-vinda. Eu tenho tanto meu Deus a aprender!!!. Mas não sou obrigada a aceitar que as pessoas me usem para subir. Não sou escada, sou apoio na horas difíceis. Não sou lona de circo, onde todos podem rir e pintar seus rostos de alegria às minhas custas.
Sou uma pessoa que quer ver o outro bem, mas por favor, não abuse de minha singela boa vontade.
No caminho escuto Ivete e sua Dalila. Os ânimos ficaram mais fortes e positivos. Depois de uma noite em que percepções sobre a minha pessoa, só pioraram a minha relação com a minha alma e com meus desejos futuros. Finalmente me calo. O mundo que passe. Chegarei a onde for, exatamente com o coração que tenho. Quem quiser e puder, me acompanhe!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Estou começando a acreditar que o meu destino é ficar só.
Mas gosto tanto de uma companhia, gosto tanto de dividir, de mostrar horizontes e falar.
Mas fico em dúvida se falar é algo aceitável.
Passo dias e dias, mergulhada em um silêncio,que até Deus duvida que exista. Deve ser a razão pelo qual nem as bonecas escapam. Jisus, falo até dormindo.
Alguém me persegue. Seria a minha sombra?
Vou para casa, nem olho para trás. Deixo todo o serviço da recepção para ganhar colo de irmã. Dores na barriga à parte, delícia o pão no chá das cinco. A cabeça doi, parece até que estou carregando um boi. Tomo remédio, escuto as risadas da sobrinha. Apesar de tudo, a dor valeu a pena. Uma tarde de aniversário, em que nada atrapalhou, nem mesmo o ouvido que também insistiu em incomodar.
Adoro o aniversário das pessoas que eu amo. Mesmo sem velas, bolo e parabéns. Sempre é motivo de agradecer pela vida, pelos novos ares, pela nova idade e agradecer pela idade que ficou para trás. Pelas conquista e clichês da vida à fora. Um brinde ao começo de tudo e ao futuro dos próximos e atraentes dias.
Acordo. Nem dormi. Virei de um lado ao outro, me sentia sufocada, amarrada. Percebi hoje, eram os gazes.
Cá estou. Febre, mau humor, insatisfação. Ha! Te peguei!. Não me incomodo com o que é ruim, nem com a falta de amizade e compreensão. Estou bem, exatamente a onde estou. Falho oras. Mas sigo.
Se precisar de mim, liga para o 193.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Fim de tarde na capital.
O trabalho párou. Daqui para frente todos se preparam para o fim de semana. Bares começam a lotar. A mulherada vai ao salão. As festas que virão ao longo de três dias de descanso.
Não faço planos. Queria dançar, mas vou para casa. Sábado e domingo ficar em casa. Ler, escrever, passar roupas, a vida de dona de casa é assim. Estudar um pouco, esperando melhorar de vida.
O dia tranquilo, alguns documentos legalizados, um DNI feito. Almoço: macarrão e feijoada, de sobremesa: pessêgo.
Dias que vão passando. O ano começou assim sem novidades aparentes.
Observo o silêncio de um setor de Embaixadas que nada acrescenta em minha vida. Nenhuma pessoa circulando. O jardineiro, o auxiliar que limpa lustres. Escuto alguém espirrar. Passo as ligações, leio blogs e espero que alguém converse comigo no msn.
Nada. Silêncio, todos ocupados em sua rotina e esperando assim como eu que o fim de semana possa ser diferente do anterior.
Meu amigo que está na Rússia sai para jantar, me deixa no vácuo.
Insisto em trasnformar as horas de trabalho, em horas frutíferas, interessantes e com resultados positivos, pois o desemprego no país só cresce. Tenho que estar feliz por não estar na fila de emprego, por poder pagar as contas em dia, mesmo que não sobre dinheiro para a realização de vários projetos.
O projeto de ser feliz é o mais fácil de ser alcançado. Bem, pelo menos é o que dizem os astros.
E assim, vamos. Sorrisos e medos que misturados fazem uma verdadeira confusão em minha mente, em sua mente.
Beijos e carinhos, amores que vem e voltam. O amor do passado mais distante que apareceu para mim em um sonho de alguns dias atrás. Lindo, com seus olhos negros.
Ando na rua esperando encotrá-lo. Seria assim o destino tão perfeito?. Espero que sim.
As pessoas me perguntam como é a rotina de morar com uma outra pessoa que não seja da família.
Hum, em 4 meses, eu ainda não tenho nada a reclamar. Moro com uma das pessoas mais calmas e sossegadas que já conheci na vida. Eu tinha medo principalmente da minha mania de organização misturada com uma preguiça danada, que aparece pelo menos 3 vezes na semana.
Não distribuimos regas, não definimos rotina, nada. Entrei, arrumei meu quarto e a casa e fui colocando em ordem o que eu achava que era necessário. Ela tinha um gato (que dava muito trabalho e não recebia a devida atenção!), e agora que ele se foi, ela se animou e também está colocando o apartamento em ordem.
Não tinhamos móveis, já temos uma mesa, ela comprou uma parte da cama e seus criados-mudos. A cozinha também ganhou a mesa de plástico, que estava na sala.
Em termos de compras, fizemos uma única compra grande, e como não ficamos em casa, tem até macarrão ainda. Mas cada uma compra o que tem vontade de comer, em uma quantidade boa que possa ser dividido. Eu me encarreguei de comprar o material de limpeza, porque eu sou neurótica com isso.
E assim é a rotina lá em casa. Cada uma faz o que pode, come o que pode, vive como pode. Há respeito, a gente conversa, ri juntas. Não há invasão de espaço, sempre perguntamos antes de fazer algo.
A vida que eu tinha antes de toda essa revolução era assim também. Mas antes que vocês me perguntem porquê essa mudança, digo que tudo acontece assim sem uma explicação. Eu tenho uma mania de agir por impulso, quando o assunto é o lance pessoal. Tive medo de me arrepender, ou de acabar percebendo que morar com a minha amiga seria um saco. Mas já aconteceu e por enquanto tudo está trnaquilo e comovente, em paz.
Espero que tudo continue como está, ou que se for para mudar, de novo, que seja sempre para o melhor!
Um lindo dia!
Estou com uma azia desde ontem. Não sei se foi um monte de pão de queijo que comi com um monte de coca-cola e hoje pela manhã dois pães com café e o queijo da amiga Lu ,que obviamente, nunca como um pedaçinho.
O fato é que na verdade eu sinto que a causa de tanta azia são as vinhetas de Carnaval que a Globo insite em fazer anos antes do carnaval do próximo ano. É março e eles azucrinam a nossa mente com enredos, fantasias e toda esa palhaçada comum à esse típico evento brasileiro. Agora falta menos um mês e cá estamos nós tendo que aturar aquele monte de música sem nexo, com um monte de baranga para lá e para cá rebolando e tentando dançar, sim, porque não entendo como elas conseguem dançar direito com um salto de 60cm. E ainda aturar a volta das antigas rainhas de baterias. Porque pelo que entendi, as novas não conseguem aguentar o peso da responsabilidade (hum que lindo!).
O que me deixa feliz é que carnaval é uma vez ao ano, e que se eu não morri de ódio até agora, é porque um dia morrerei. Carnaval, pelo menos para mim e para um grande maioria, que eu conheço, um evento aborrecedor e que nos deixa de extremo mau-humor. Ah! tem o fato bom de ficar em casa alguns dias.
Espero não morrer neste momwnto, após essa declaração. Afinal, não é porque sou brasileira e amo o meu país que sou obrigada a achar tudo fofo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Estava observando o quanto um montão de coisas aconteceram desde que eu saí de casa.
Muitos não sabem e nem gostaria que soubessem.
Mas aqui é o lugar a onde divido certas coisas.
Mas sem entrar no mérito da questão, em profundos detalhes, tudo que eu sei é que eu acho que estou mais louca que antes, mas com uma diferença básica: sou uma louca feliz.
Olho o meu novo quarto e vejo tudo como deveria ser. Ou que talvez nem deva acontecer, mas que está acontecendo. Lá estou em uma nova casa, com novos móveis e cortinas e lençois e edredom lilás com mandala na janela. Incensos, música de mantra.
Acordo várias vezes durante a noite, olho para o espelho pendurado no teto, com predinhas lilás dividindo, uma fita com bolinhas pretas.
Tudo aprecia que não daria certo. E ainda me parece que não dará.
Vejo as pessoas que ficaram para trás. Eu precisei romper barreiras, deixar a saia da mãe e o colo da irmã. Precise mudar de vida, embora a mudança exata aconteça a cada dia.
Tudo diferente do lar maternal, embora a minha amiga faça bem o papel de mãe. A mãe ideal que não briga e que não poe de castigo nunca.
Mas a minha mãe, ah essa sim é minha e eu sei que nada do que houve foi exatamente errado.
Assim sendo, continuo ,empolgada, animada, e maluca de tudo. Porque o lance de colocar os pés pelas mãos é bem típico de uma ariana charmosa, com cabelos negros, Amelie Poulan e meu sotaque indefinido de uma ex-Rússia instalada como um chip em minhas entranhas.
O doce sabor de um martini e de aconchêgos ao vento de Brasília.
O abraço jogado no lixo, pois eu escolhi a solidão e a felicidade, retratadas em linhas rosas desse blog que eu amo e que me dão amigos sinceros. Amigos que estão comigo, poucos, mas os que me amam julgo eu.
Obrigada pela nova pegada deixada para trás e pelos novos caminhos distribuidos em episódios que só ao assiti-los entenderei o que me resta de escolha nessa vida.
Jamais poderei esquecer o que ouvi ontem e vi pela televisão e senti.
Maysa interpretando uma de minhas músicas mais favoritas de todas, em meu segundo idioma favorito de todos: Ne Me Quitte Pas de Jacques Brel.
Ontem eu pude me sentir em solo francês, sentada no Olimpya, copos de whyski, cigarros, o cheiro de boemia, amor.
Assim me imaginei, vendo Maysa levar nosso brilho brasileiro ao povo da França. E me senti orgulhosa, de toda capacidade cultural que ela tinha. Aprendi a admirá-la, a acreditar na força que uma mulher possui, muitas vezes sem saber.
Não me importo se a vida dela era regada à bebedeiras e moderadores de apetite. Nem se ela trocou o lar e a família pela vida de boemia. Ela fez o que queria,o que acreditava ser melhor e se tivesse sido assim tão ruim, o próprio filho não teria homenageado a mãe com uma das minisséries mais lindas que eu já vi em minha vida.
E fiquei feliz pela oportunidade de ouvir essa música e de dormir com uma calma que há tempos eu não via. Dormi horas seguidas, a noite inteira, sem medo, sem angústias, sem lágrimas.
A letra triste. A melodia calmante.
Viva Maysa e sua alma perturbada e suas loucuras impensadas, mas com méritos, com amor. Ela era a deusa de seu tempo e uma beleza singular, seus olhos verdes, seu cigarrinho na mão. Quem poderia resistir tamanha sensualidade.
Maysa! Sempre.